Conhecendo os planos odontológicos – a perspectiva do dentista

Esse artigo não é de autoria do Laboratório e sim transcrito de um outro site. Como ele retrata a realidade do Dentista iniciante no mercado e a vantagem/ necessidade dele se associar a um dos planos odontológicos que existem, achei bastante interessante reproduzí-lo de modo que o Dentista compreenda melhor o funcionamento dos planos odontológicos, uma realidade, tal como os planos de saúde para os médicos, que já não pode mais ser negada.
Manter-se no mercado de trabalho está cada vez mais difícil para os novos profissionais dentistas. Além da crise financeira prolongada no país, há também um número cada vez maior de recém-formados saindo das faculdades de odontologia, que levam à saturação do mercado. Por conta disso, dentistas têm encontrado nos modelos de assistência complementar uma boa opção para o aumento na quantidade de pacientes e, é claro, das finanças do consultório. Tudo indica que o sistema de convênios e cooperativas veio mesmo pra ficar. Luiz Schiavolin Neto, pesquisador da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) confirma em sua dissertação de mestrado "Convênios e Cooperativas Odontológicas na Região Metropolitana de São Paulo: uma análise operacional", que é difícil trabalhar, principalmente no caso dos recém-formados, se não estiver afiliado a um convênio ou cooperativa. Schiavolin colheu depoimentos em 20 convênios e sete cooperativas da cidade de São Paulo, por meio de questionários. "A escolha foi aleatória. Como vários questionários enviados não foram respondidos, fechamos a amostragem apenas com os documentos devolvidos", explica em entrevista ao jornal da Unicamp. As perguntas se propunham basicamente a identificar a dinâmica operacional desses órgãos, em tópicos sobre número de usuários, tempo de funcionamento, número de cirurgiões-dentistas credenciados, critérios para credenciamento e descredenciamento, e práticas de reembolso dos serviços prestados. Apesar das características próprias, Schiavolin Neto não observou diferenças na prestação de serviços por convênios e cooperativas. Itens como tempo de funcionamento, número de usuários e de cirurgiões dentistas, no entanto, são maiores nas cooperativas. O cooperativismo faz do cirurgião-dentista um sócio do "negócio". Para entrar no sistema, ele deve se inscrever no programa e, se selecionado, adquire uma quota do capital social, tornando-se um cooperado. Assim, o profissional fica habilitado a atender pacientes que possuam assistência odontológica da cooperativa em questão ou que trabalhem em empresas que mantêm um contrato. Existem grandes cooperativas como a Uniodonto, com cerca de oito mil cooperados, que oferecem benefícios aos profissionais credenciados. Uma delas é a possibilidade de adquirir produtos odontológicos e materiais de consumo diretamente da cooperativa, sem intermediários e, por isso, a preços inferiores aos de mercado. Por serem empreendimentos sem fins lucrativos, geralmente os recursos recebidos são distribuídos aos cooperados, proporcionalmente à participação de cada um com a cooperativa, ou então são reinvestidos na própria cooperativa, oferecendo um aumento de trabalho aos dentistas. A dentista Marta Cristina Malachias é cooperada há dez anos. Ela saiu de Ourinhos, interior de São Paulo, para abrir um consultório na capital. Sem conhecimento algum na cidade, a solução foi aderir à cooperativa para conquistar seus primeiros pacientes. "A cooperativa acaba divulgando o dentista para os pacientes associados, por meio dos livrinhos do plano", diz a dentista que nunca trabalhou fora de uma cooperativa. Já o sistema de convênios odontológicos funciona de maneira semelhante ao de convênios médicos, que é mais conhecido da população, e se propõe a gerar maior demanda de clientes para os dentistas. "Quando o dentista coloca um cliente conveniado dentro do consultório, este pode indicar até seis outros não conveniados", diz Mariza Costa, responsável pela Amil Dental, empresa no mercado desde 1986. Ela conta que até aqueles profissionais que já têm uma carreira consolidada, podem lucrar atendendo conveniados nos “buracos” de horário na agenda. É só o dentista definir a carga-horária disponível que terá para atender os pacientes do plano. No caso da Amil Dental, o critério para ser aceito dentro do convênio é composto por algumas etapas que incluem: ter no mínimo três anos de formado, análise do currículo, entrevista pessoal e avaliação das condições físicas do local de atendimento, com ênfase nos recursos para manutenção da biossegurança. O processo se desenvolve em âmbito nacional e há uma tabela de preços pré-definida para cada tipo de procedimento, que abrange as mais diversas especialidades odontológicas."Me credenciei a um plano odontológico para atender ao pedido dos meus pacientes que aderiram ao convênio. Na verdade, o que a empresa paga não chega a sustentar o consultório, mas como trabalho atendendo pacientes por indicação, acaba movimentando a clínica", garante a dra. Karina Pereira, que tem consultório em Mogi das Cruzes, grande São Paulo. A dentista atende entre cinco e dez pessoas conveniadas por mês e afirma que por mais que receba menos atendendo um conveniado, não o trata diferente. Ela usa os mesmos materiais que usaria num particular. Interessados em fazer parte de um sistema de convênio, podem se informar no site do Conselho Regional de Odontologia do seu estado. Só na página do CRO de São Paulo, existem contatos de mais de 400 convênios e cooperativas. Quem sabe não chegou a hora de renovar seu modo de trabalhar?
Fonte: www.odontocloseup.com.br/web/salaespera/Convenios.aspx