O passado e o futuro da prótese dentária

Pelo que percebo pela quantidade de cursos de prótese dentária, pela quantidade e pessoas que me pedem empregos e estágios e por duas faculdades terem criado curso Superior de Prótese Dentária (faculdades Veiga de Almeida e Estácio de Sá) percebo que a profissão de protético vem atraindo muitas pessoas em busca de uma remuneração boa.

Hoje existem laboratórios que empregam dezenas de pessoas e em pelo menos um caso que conheço, na China, centenas delas. Mas nem sempre foi assim. Quando comecei com prótese dentária a situação era bem diferente.

Easy Lab, maior laboratório de prótese dentária do mundo: imenso no tamabho, diminuto na qualidade...

No início, fazer prótese era atividade de dentista. Quando muito, o dentista incumbia alguém, um auxiliar, um boy, para executar certas tarefas de prótese. A própria odontologia tinha seus problemas com os chamados práticos licenciados, profissionais que exerciam a atividade sem formação superior.

Até que na Revolução de 30, Getúlio Vargas resolveu tomar providências, com um decreto-lei referente à Odontologia, que citava o protético.

Foi criado um Serviço de Fiscalização da Saúde Pública, que ia aos consultórios e, conseqüentemente, aos laboratórios, já que na época estes não passavam de "cantinhos" dos consultórios dentários, pequenas salas anexas. Era na verdade, o Serviço de Fiscalização de Medicina, que controlava as atividades médicas, farmacêuticas e odontológicas.

Esse foi o primeiro passo para em 1935, o governo desse um fim aos práticos licenciados, instituindo um exame de habilitação com certificado para quem quisesse exercer a odontologia. O protético dentário só entra em cena em 1943, através do Departamento Nacional de Saúde Pública que criou a Portaria n.° 29, que obrigava o protético a prestar exame, passando por uma banca examinadora, para só então, trabalhar com a prótese.

Graças a essa exigência, os profissionais começaram a se conhecerem. Acabavam se encontrando na inscrição e posteriormente, na Faculdade de Odontologia para prestar o exame prático e oral.

A prova escrita pouco exigia do candidato. Eram questões simples, de terceira série primária, e na oral, as perguntas faziam referências aos aparelhos usados na atividade, ou seja, era uma prova apenas para legalizar os que já praticavam a profissão. Todos os inscritos foram aprovados. Depois de legalizados os protéticos passaram a sofrer uma maior fiscalização e a ter que requerer alvarás da prefeitura, para abrir seus laboratórios.

 

Fim da Portaria 29 e a criação da 86 para os protéticos

Na período desde a criação da portaria 29 até a década de 1970 muita coisa mudou no universo da prótese dentária no Brasil. Se no início a portaria 29 foi muito bem vinda, por volta de 1970 o que os protéticos queriam era realmente derrubar a Portaria 29.

Ela tinha cumprido um papel, mas no decorrer dos anos, ficara obsoleta. As exigências para qualificação profissional eram mínimas, substituindo a capacidade e inteligência do protético. Na realidade os dentistas tinham medo, não permitiam a ascensão do protético, temendo um antigo fantasma: o dentista prático. Não entendiam que o lugar do protético é no laboratório, não no consultório.

Só na década de 70, o Ministério da Educação criou a Portaria 86, instituindo a obrigatoriedade do 2º grau para o técnico em prótese. Representantes da classe foram convidados a participarem do grupo de trabalho, para elaborar as normas curriculares para o curso de protético.

A UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro -, inclusive, montou um curso para auxiliar de prótese, com duração de um ano. Com a procura o curso passou a ter dois anos, formando técnicos em prótese dentária. Posteriormente, o protético também foi reconhecido pelos conselhos de Odontologia (regionais e federal), tendo que fazer sua inscrição.

Perspectivas para a prótese dentária no futuro

Nos dias atuais, a tendência é que a formação em Prótese Dentária seja através de um curso superior. Enquanto muitos protéticos podem comemorar com uma maioridade da profissão, eu tenho uma opinião divergente da grande maioria.

Na minha opinião quem julga seu um protético é bom ou não, se tem conhecimento do que faz são seus clientes, os dentistas. Se o protético é bom e tem uma estrutura profissional, receberá trabalhos dos dentistas. Se não é bom, não terá trabalhos. É o próprio mercado (no caso formado por dentistas) separando o “joio do trigo”.

Acho que deveria continuar assim pois inúmeras vezes na minha vida vi uma pessoa se tornar um protético e ter uma ascensão profissional e pessoal com isso. Tornar necessário um curso superior para um protético apenas irá dificultar essa ascensão para um grande número de pessoas, que tem o talento mas não necessariamente o tempo e/ou o dinheiro para cursar um curso superior.

Be Sociable, Share!